terça-feira, 22 de novembro de 2011

A origem dos alimentos: alho

O alho é um dos mais versáteis sabores da culinária, um condimento que seduz muitas pessoas, mas que também, provoca um mal estar em seus consumidores por causa do seu cheiro forte. Muito utilizado na cozinha brasileira e indispensável na culinária provençal, o alho seduz não somente pelo seu marcante sabor e aroma, como pelo seu poder na cura de alguns males que afetam a nossa saúde. Combate à gripe, possui efeitos benéficos para o coração e circulação sanguínea, e segunda lendas, o mau-olhado e até vampiro. O alho, cientificamente conhecido como Allium Sativum, da família Liliaceae (a mesma da cebola e da cebolinha), é uma planta assexuada que se propaga através do plantio dos bulbilhos ou dentes. Caracteriza-se por um bulbo arredondado, conhecido como cabeça, composto por 10 a 12 dentes, envoltos por uma casca, que pode ser branca, rosada ou roxa.


As origens do alho remontam a cerca de 6.000 anos, ou até mais. Na verdade, há imprecisão e controvérsias na definição de sua origem, que pode ter sido a Europa mediterrânea ou o continente asiático. A maioria dos estudos indica a Ásia como local de origem do alho. Julga-se que tenha surgido no deserto da Sibéria, e levado para o Egito por tribos asiáticas nômades, dali tenha seguido para o extremo oriente através das rotas do comércio com a Índia, e depois tenha chegado à Europa. Para todas as culturas, seja a indiana, a egípcia, a grega, a hebraica, a russa ou a chinesa, o alho era um elemento quase tão importante quanto o sal. O que ditou a diferença de importância foi sua rejeição pelas classes mais altas, em razão do odor da planta. Mais tarde, continuaria rejeitado pela aristocracia e, em alguns casos, pelo clero, o que fazia deste vegetal um indicador de classe social. Era entusiasticamente apreciado como alimento e medicamento pelas massas, o que fez com que o escritor francês Raspail o apelidasse de “cânfora dos pobres”, esnobismo que se provaria equivocado ao longo do tempo. A despeito do preconceito advindo das classes dominantes, a importância e a representatividade do alho na história da humanidade são indiscutíveis. No antigo Egito, 7 kg de alho eram suficientes para comprar um escravo e, até meados do século XVIII, os siberianos pagavam os seus impostos em alho. Alho e cebola eram ingredientes essenciais na dieta de escravos e operários para que não adoecessem, não tendo faltado, por exemplo, na dos construtores das pirâmides. Dizem que o alho chegou ao Brasil junto com as caravelas de Cabral. A resistente hortaliça seria parte do magro cardápio consumido pelas tripulações. Mas, uma vez no país, levou cinco séculos para sair do fundo dos quintais, onde era cultivado em pequenas quantidades como tempero e ingrediente de remédios caseiros, para enfim virar uma cultura capaz de gerar riqueza no campo.



Dicas
1. Como Comprar: As cabeças de alho devem ser redondas, firmes, cheias, e com a parte exterior intacta e sem manchas. Os dentes devem ser firmes, graúdos e unidos. Evite comprar cabeças de alho cujos dentes estejam soltos, moles e murchos. 
2. Como armazenar: Embora sejam decorativas e bonitas, as réstias de alho não devem permanecer por muito tempo penduradas na cozinha, pois correm o risco de secar sobrando apenas cascas. Guarde o alho em lugar fresco, seco e levemente arejado. Se for mantido em lugares úmidos e quentes, vai mofar rapidamente e murchar. Uma boa maneira de armazenar uma cabeça de alho inteira é colocá-la em um recipiente de cerâmica com orifícios para a ventilação. Desde que tomados os devidos cuidados na compra, é possível armazená-lo por até um mês. 
3. Como utilizar: O aroma do alho é um dos mais excitantes da cozinha, mas se for cozinhado de forma errada, pode estragar um prato. O erro mais comum é cozinhar o alho em fogo alto, pois ele queima rapidamente e seu gosto torna-se amargo. Para dar um sabor mais suave nas preparações que irão ao forno, corte um dente de alho ao meio e esfregue na parte interna da assadeira. 
4. Para não ficar com cheiro de alho: Para evitar que o cheiro de alho fique nas mãos, algumas pessoas esfregam elas no sal, no limão ou na salsa. Dizem que esfregar as mãos nas costas de uma colher de metal também adianta, mas existe um utensílio de metal, á venda em mercados, que promete tirar o cheiro de alho das mãos e parece funcionar. Também, existem sabonetes que ajudam a tirar o cheiro.



Você sabia? 
Existem diferentes tipos de alho e quase todos diferem em relação a tamanho, cor, forma, sabor, número de dentes por bulbo, acidez e capacidade de armazenamento.

2 comentários:

  1. Texto muito interessante. Todavia, causou-me estranheza quando o autor diz que a origem do alho pode ser asiática ou da Europa mediterrânea. No entanto, todas as informações seguintes apontam para a Ásia. Em momento algum, o texto apresentou evidências que o alho tivesse origem na Europa. A frase que diz Ásia e Europa mediterrânea confunde e não tem nenhuma serventia no texto.
    No mais, o texto traz informações elucidativas.

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